100 Palavras  por Odair Bruzos
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        Aqueles que o Mundo materialista considera vencedores são, no fundo, quase todos cruéis. É raríssimo vencer sem deixar pegadas de crueldade. Os que o Mundo considera fracassados não são menos cruéis, embora a crueldade destes receba outros nomes: inveja, despeito, rancor. Os mais cruéis, porém, e mais numerosos, são os medíocres. Essa multidão é duplamente cruel. Inveja os que subiram mais do que eles, torcendo para que caiam. Tripudiam sobre os poucos que subiram menos, tudo fazendo para que não subam mais, para que despenquem de vez. Posam de normais, corretos, bonzinhos, mas transbordam de ressentimento, maldade,
pobreza de espírito.

Publicado na edição 241 da Revista Ria de 06/09/2008


     São muitas as histórias em que o Bem, no final, ganha, brilha, vence. Elas aumentam a espiritualidade, fortalecem a Fé, reforçam o sentido da Vida. De Moral da história em Moral da história, vamos, em meio a finais felizes, caminhando para frente e para o alto. Até o Livro de Jó, depois de tanto sofrimento trágico, apresenta um “final feliz”. Difícil, mesmo, é mantermos nossa Fé, nossa Esperança, mesmo diante das histórias nas quais o Mal triunfa, o Bem sucumbe, o final é triste; principalmente quando vivemos essas histórias. Mas só aí saberemos se temos Fé. O resto é ficção.

Publicado na edição 240 da Revista Ria de 23/08/2008


Uns acreditam em tudo: livros, gurus, pastores, ismos.
Nada questionam, nada buscam. Aceitam o que lhes dizem. Outros não acreditam em nada, num ver para crer sem fim. Os primeiros dizem perceber Deus em tudo. Os outros, mesmo que Deus em pessoa aparecesse para eles, diriam tratar-se, segundo sua Ciência, de uma ilusão provocada por uma enzima x no neurônio y. Nenhuma dessas posições leva ao entendimento. Crer em tudo, simplesmente “porque sim”, é, no mínimo, ingenuidade. Nunca acreditar em nada, por sua vez, é a expressão máxima da prepotência vaidosa. O caminho do meio é muito, mas muito difícil...

Publicado na edição 239 do Jornalzinho Ria de 09/08/2008


Carmen, dia dez completamos mais um ano de casamento, de União. Sei que é impossível resumir em apenas cem palavras o que Você é para mim. Precisava de infinitos trilhões de páginas para tentar expressar tudo que sinto por Você. E seria só uma tentativa... Juntos geramos três seres maravilhosos. Juntos sorrimos, choramos, brigamos. Muitas vezes dissemos as piores palavras que podem ser ditas: nunca e nada. Mas também dissemos e vivemos o algo, o muito e o sempre.Nem sei como você suportou meus erros, meus vícios, minhas loucuras. Só sei que, enquanto eu respirar, quero respirar com Você.

Publicado na edição 235 do Jornalzinho Ria de 14/06/2008


Eu estava aguardando para ser atendido num posto de saúde. Comecei a pensar sobre o que poderia fazer para aliviar o sofrimento da Humanidadeir. Minha cabeça começou a voar... Escrever um livro para amolecer os corações duros? Montar um site, no qual as pessoas pudessem me pedir conselhos para seu conforto espiritual? Criar um movimento de reforma íntima? Nesse momento, em que eu já me sentia tão bom como São Francisco, um senhor pegou um copo, encheu de água e regou uma planta ressequida. Nesse momento, aquela água como que me lavou, levando consigo minha vaidade. Voltei para o chão...

Publicado na edição 231 do Jornalzinho Ria de 17/05/2008


Muitos passam anos em erros. Alguns, pelo Amor ou pela dor, tomam consciência disso. Destes, muitos estacionam na culpa; alguns resolvem agir. Destes últimos, muitos só ficam no discurso; alguns tentam mudar. É um processo difícil, lento. É como um agricultor que, em vez de jogar as sementes na terra, joga uma a uma no lago, divertindo-se com as ondas. Um dia percebe o que fez. E vê o que sobrou: uma semente e a fome sua e dos seus. O que fazer? Chorar? É inútil. Semear de manhã, esperando colher à noite? Impossível. Semear, cuidar, colher, semear de novo?

Publicado na edição 231 do Jornalzinho Ria de 19/04/2008


....São muitas as histórias em que o Bem, no final, ganha, brilha, vence. Elas aumentam a espiritualidade, fortalecem a Fé, reforçam o sentido da Vida. De Moral da história em Moral da história, vamos, em meio a finais felizes, caminhando para frente e para o alto. Até o Livro de Jó, depois de tanto sofrimento trágico, apresenta um “final feliz”. Difícil, mesmo, é mantermos nossa Fé, nossa Esperança, mesmo diante das histórias nas quais o Mal triunfa, o Bem sucumbe, o final é triste; principalmente quando vivemos essas histórias. Mas só aí saberemos se temos Fé. O resto é ficção.


Ter sede de buscar, domar a língua, ver-se nos outros. Esses são os três primeiros passos da busca espiritual. O quarto é uma ampliação do terceiro: sentir-se verdadeiramente um com tudo, não apenas com todos. Embora eu ainda nem tenha dado com firmeza o primeiro passo, antes de falar sobre o quinto, o sexto, o vigésimo, o milésimo, acho bom avisar o que acontece com quem chega ao último degrau do Caminho, ao cume da Iluminação, da Salvação, da Paz. Por seu coração estar tão cheio de Compaixão, voltará correndo à soleira do primeiro degrau, para ajudar todos na escalada.

Publicado na edição 230 do Jornalzinho Ria de 05/04/2008


Perguntaram por que escrevo. Este é o motivo: mostrar que você é quase a melhor pessoa que existe. Digo “quase”, porque talvez o seu “melhor” esteja encoberto por vaidade, orgulho, raiva, indiferença. Mas tudo isso pode ser lavado com humildade e esforço. E assim o seu “melhor” vai brilhar. Também digo “quase”, porque, depois que você remover a sujeira que recobre seu “melhor”, com a Luz que vai surgir, você vai ver que todos também possuem um “melhor” como o seu, mesmo que ainda oculto. Nesse momento, você vivenciará que tudo e todos somos Um. Nesse momento, você verdadeiramente nascerá.

Publicado na edição 229 do Jornalzinho Ria de 22/03/2008


 Cinco minutos antes da meia-noite de quarta-feira de cinzas, o coração de carne da minha Mãe parou de bater, depois de setenta e quatro anos bombeando Amor. A morte faz parte da vida, mas ela dói muito, dói demais. Ainda estou sem palavras, mas preciso dizer a você uma coisa: nesses momentos trágicos, percebemos o que é realmente importante na Vida. Sabe o que é importante de verdade? O relacionamento com as pessoas que amamos. Mãe, sei que a senhora está com Deus. Sei, também, que a senhora continua comigo, continua sendo a melhor Mãe que um filho poderia ter.

Publicado na edição 228 do Jornalzinho Ria de 08/03/2008


      Como já disse, estes são, segundo o que penso, os dois primeiros passos na busca espiritual: ter sede de tal busca e domar a língua. O próximo: ver-se nos outros. Cada dente de uma engrenagem é único em sua extremidade. No centro dela, porém, não distinguimos os dentes. Cada um de nós também é único, mas no fundo, no centro, somos um só. João é invejoso? No fundo sou eu com inveja. Pedro me ofendeu? No centro sou eu o ofensor. Maria me agrediu? Eu sou o agressivo. Mas devemos vivenciar isso. Precisamos sentir isso como algo vitalmente real, óbvio.

Publicado na edição 224 do Jornalzinho Ria de 12/01/2008


O primeiro passo de busca espiritual consiste em sentir necessidade dessa busca. Você acha que o sentido da vida se resume a poder, dinheiro, amor, amizade, família, prazeres, fama? Talvez você tenha razão. Ou talvez ainda não tenha chegado a sua hora de buscar. Você sente sede de um sentido  maior? Sente saudade de algo que não consegue explicar? Sente um desejo permanente de se religar a Deus, ao Amor, à Compaixão, à Luz? Talvez você tenha razão. Mas se você sente, verdadeira e profundamente, essa sede, o primeiro passo já esta dado. É hora de caminhar fumo à fonte.

Publicado na edição 222 do Jornalzinho Ria de 15/12/2007


Em três momentos da minha vida eu me senti no maior contato com Deus, ou outro nome que se queira dar a essa culminância: Amor, Luz, Eternidade, Compaixão. É algo extraordinário: como no filme Matrix, eu via tudo de outra forma. Tudo estava certo, tudo era Harmonia. Eu me via em todas as pessoas, e em todas - inclusive em mim - eu via o Amor. É um êxtase, é como se eu recebesse estgmas da Paz, e Paz sem adjetivos. Eu era um com todos, um comigo, um com o Amor. Que saudade...Eu preciso voltar a esse Primeiro Amor.

Publicado na edição 221 do Jornalzinho Ria de 01/12/2007


São sábios estes provérbios: errar é humano; persistir no erro é burrice. A maior burrice que podemos fazer, porém consiste em ficarmos alimentando mágoa, culpa, ressentimento e vergonha pelos nossos erros do passado. Isso nos mantém estacionados num presente vazio de realizações, cercados pelo medo de errar de novo no futuro. Precisamos, é claro, reconhecer nossos erros. Precisamos, com certeza, tomar a firme decisão de não errar mais. Mas também precisamos continuar a trilhar o caminho da Vida. Quem não se perdoa, não se ama. E quem não se ama, não consegue amar. Precisamos recomeçar sempre: reconstruindo, restaurando, criando, amando.

Publicado na edição 221 do Jornalzinho Ria de 17/11/2007


Imagine uma placa, na Capital, com uma seta indicando o caminho para o litoral. Imagine, ao lado dela, uma família sentada em cadeiras de praia, um isopor com bebidas, pessoas passando bronzeador umas nas outras. Reserve essa cena.
"Religião" significa religar o Homem com um sentido maior do que as nossas mesquinharias. As religiões são como placas indicando o caminho para essa busca. Pelo menos deveriam ser assim.
A maioria das pessoas que freqüentam igrejas, porém, apenas vão aos templos e repetem rituais, livros, canções.
Aquela família precisa seguir o caminho que  leva ao Mar.
E nos também precisamos caminhar.

Publicado na edição 221 do Jornalzinho Ria de 03/11/2007

Nossa língua é um dos maiores obstáculos no caminho da busca espiritual. Quanto mais falamos (e, geralmente, mal) dos outros, mais difícil (ou impossível) fica a caminhada. Anos atrás, com muita luta, consegui domar minha língua. Acabei relaxando na vigilância, voltando ela ao seu estado selvagem. Mas se eu consegui, qualquer um consegue. O método, famoso, é simples, embora de dificílima execução. É verdade o que vou falar? Preciso falar isso? Gostaria que falassem isso de mim? Se uma das respostas for negativa, o melhor é calar. Feito isso, basta vigiar. Até quando? Até o nosso falecimento. Não é simples?


No Brasil, as pessoas clamam por Justiça. Querem, na verdade, vingança. Pregam Honestidade, mas furam filas. Pedem Justiça Social, mas não registram seus empregados. Fazem passeatas pela Paz, mas guardam mil rancores. Pedem Polícia, mas se revoltam quando são revistadas. Exigem obras, mas não querem mudanças na frente de suas casas. Querem que os motoristas e motociclistas respeitem a ordem no trânsito, mas trafegam pelo acostamento; ciclistas vão por onde bem entendem; pedestres não respeitam o semáforo. Anseiam por igualdade, mas sempre querem passar na frente dos outros.
Com essas pessoas, dá para se construir uma Nação? Que triste comédia...
Publicado na edição 214 do Jornalzinho Ria de 25/08/2007  


         Muitos não acreditam em Deus.  Quase todos, porém, acreditam piamente em estatísticas ou risco-país.  Basta uma ONG divulgar alguma estatística, que a imprensa, os políticos, os que se auto-denominam representantes da sociedade civil saem como papagaios a repetir os números apresentados.  Não investigam a ONG, sua metodologia, seus pesquisadores e financiadores, muito menos eventuais interesses escusos em jogo.  Por sua vez, um grupo de homens com azia resolve que o risco do Brasil é x, e tal valor vai para a primeira página dos jornais.  Precisamos parar de dar tanto crédito a ONGs, à imprensa e a aparecidos de plantão.

Publicado na edição 202 do Jornalzinho Ria de 10/03/2007 


                Tentei várias vezes fazer minha reforma íntima, abandonando vícios e outros defeitos. Tentei, caí, tento... Descobri, então, que, antes de tirar de mim esses males, preciso colocar em mim alguns bens. Preciso me emcher de Amor, Perdão. Preciso parar de julgar. Preciso, ao ver os erros dos outros, entender que, nas mesmas condições, talvez eu errasse muito mais. Preciso me ver nos outros, sempre. Preciso, enfim, sentir compaixão. Por mim e por todos os seres. Compaixão não é pena. É sentir com. E com paixão. Estou nascendo de novo agora. Você também está nessa busca e quer conversar? Visite www.compaixao.com

Publicado na edição 201 do Jornalzinho Ria de 124/03/2007 


      Há empresas que chamam seus funcionários de colaboradores, parceiros, associados.  A maioria delas, porém, trata-os como se fossem seres de quinta categoria, pagando-lhes salários de fome, pura e simplesmente explorando-os o máximo possível.
            Há empresas, também, que patrocinam concursos e campanhas sobre cidadania, ética, ecologia.  No entanto poluem o ambiente; negam-se a informar se há transgênicos em seus produtos; diminuem o peso destes, alegando, com a maior cara-de-pau, que a diminuição é um avanço tecnológico (mas o preço fica o mesmo, ou até aumenta).
            É muito fácil posar de politicamente correto.  Buscar agir de forma verdadeiramente correta, porém, é difícil...

Publicado na edição 199 do Jornalzinho Ria de 27/01/2007 


        Não confio nas pessoas que se dizem honestas. Primeiro, porque ser honesto não deveria ser visto como algo extraordinário. Segundo, porque quem bate no peito, alardeando sua honestidade, passa a imagem de alguém que se considera Deus, muito acima das imperfeições humanas.
        Prefiro as pessoas que simplesmente dizem ter medo; medo de, como seres humanos que são, falíveis, vaidosos, muito longe da perfeição, fazerem a primeira falcatrua e ficarem impunes. Sabem que, como humanos, vão gostar disso. E vão fazer a segunda, a terceira, quarta...
        Precisamos de menos deuses e mais seres humanos. Precisamos de menos alarde e mais ação.

Publicado na edição 198 do Jornalzinho Ria de 13/01/2007 



               Semanas atrás disse que iria mudar, abandonando vícios e outros hábitos destrutivos. Perguntam-me se mudei. Respondo que o caminho da mudança é muito íngreme, tortuoso, cheio de pedras cortantes, de lama, musgo, ladeado por uns poucos que querem ajudar e por muitos que apostam no tropeço. De fato, tropecei muito, caí várias vezes. Mas sempre voltei ao caminho. Nas quedas, eu me machuquei. Mas sei que também machuquei as pessoas mais importantes para mim. Pedir perdão não basta, sei disso...
          Só posso me levantar mais uma vez, tirar a lama dos olhos, secar as lágrimas e dar mais um passo...

Publicado na edição 195 do Jornalzinho Ria de 02/12/2006 


               Tudo deve ser analisado, criticado, inclusive a Imprensa.  O que muitos dos grandes meios de comunicação fizeram, por exemplo, na última eleição, inventando factóides que não podiam ser provados, deturpando acontecimentos, manipulando mentes, merece veemente repúdio.  O poder da Imprensa é tão grande, que, usado de forma errada, pode destruir, injustamente, pessoas e instituições.
             A melhor defesa que os pensantes podem exercer diante da má Imprensa é, justamente, pensar.  A matéria ou cobertura traz inverdades, deturpações?  Dá a impressão de que atende a interesses particulares?  Parece coisa encomendada, comprada?  Em qualquer dessas hipóteses, mude de jornal, de revista, de canal.

Publicado na edição 193 do Jornalzinho Ria de 04/11/2006 


          Será que um bilionário que tem duzentos helicópteros, quando adquire mais um, tem sua felicidade aumentada? Creio que não. Quando suprimos nossas necessidades vitais, fazemos algo imprescindível e justo. Quando, porém, nós aumentamos os laços de nossa condição de escravos de nossos desejos, de nossos vícios, de nossa vaidade, conseguimos, no máximo, alcançar uma falsa e temporária saciedade. Esta logo desaparece, deixando em seu lugar o vazio de sempre.
         Os ricos só querem ter cada vez mais. Os pobres só gostariam de poder ter como os ricos. E assim caminha a Humanidade, feito rebanho noturno, sem pastor, serpenteando entre precipícios.

Publicado na edição 192 do Jornalzinho Ria de 21/10/2006 


         Num certo dia da História do Universo, um anjo tomou do homem a selvageria bruta, empurrando-o para a vida em sociedade.. Nesse mesmo dia, um monstro tirou sua naturalidade, sua individualidade plena, transformando-o em gado.
         Num certo dia da História de cada um de nós, um anjo nos tirou o egoísmo bruto, ensinando-nos a conviver com os outros. Nesse mesmo dia, um monstro aprisionou nossos sonhos mais ícaros, condenando-nos ao chão.
       O anjo e o monstro são só: a civilização. O resultado colateral: um imenso, intenso e infindável mal-estar.
Assim nasceram as drogas, os fanatismos, as fugas em geral.

Publicado na edição 191 do Jornalzinho Ria  de 07/10/2002

Ia escrever que as pessoas são loucas.  Muitas participam de passeatas pela paz, mas ignoram, por rancor, parentes  e amigos.
         Percebi, porém, que louco sou eu.  Como posso falar de espiritualidade, se não respeito meu próprio corpo, que posso tocar?  Bebo em excesso, fumo feito chaminé, meu peso é mais do que o dobro do ideal.
         Portanto, dou, hoje, o primeiro passo.  Mudo hoje meus hábitos de comer e de beber.  Procuro hoje ajuda para largar o cigarro.
         Se progredir na caminhada, talvez daqui a quinze dias fale sobre a loucura dos outros.
         Por hoje, minha própria loucura me basta.

Edição 190 de 22/09/2006


          Festas são momentos importantíssimos na Vida. Mas isso só é verdade quando a festa significa a comemoração de um projeto realizado, como um ano bem vivido, um trabalho bem feito, uma união feliz. Nossos antepassados preparavam a terra, aravam o solo, jogavam as sementes, cuidavam da plantação. Na colheita, festejavam. 
         Há pessoas, porém, que buscam a festa só pela festa. Comemoram, na verdade, um profundo vazio.
         Mais do que resultados, deveríamos festejar a maravilha de podermos agir.
         Vamos agir, hoje, para que o Mundo seja melhor que ontem. E, quando o amanhã se transformar em hoje, vamos fazê-lo melhor ainda.

Edição 188 de 26/08/2006


           Somos vaidosos.  Quando fazemos algo de bom para alguém, esperamos algo em troca.  Não temos palavra: somos obrigados a preencher e assinar papéis com nossos compromissos, e, mesmo assim, muitas vezes falhamos.  Pouco ouvimos os outros.  Adoramos uma festa.         
Gostamos quando somos os primeiros, quando somos obedecidos, quando somos louvados.   Somos ciumentos, possessivos, egoístas, egocêntricos.  Sentimos muita ira.  
           Então, diante da morte, do vazio, do aperto, inventamos um deus à nossa imagem.      Passamos a venerar livros, gritar por ajuda, fazer promessas, construir templos monumentais.  Em nome desse deus, chegamos a matar.
            Está na hora de deixarmos que Deus nos invente.

Edição 187 de 12/08/2006


          Somos todos animais, embora tenhamos nos esquecido disso.  Mas também somos Deuses, por menos que nos lembremos disso.  Todo o mal que existe no Mundo vem desse nosso esquecimento, dessa nossa falta de lembrança.  Em vez de assumirmos nossos lados animal e divino, somos, às vezes, menos que animais; buscamos, quase sempre, ser mais que Deus.  Esse erro gera o ódio, o orgulho, a vaidade, a guerra, seja esta entre dois seres, entre povos, entre gerações.
          Para que o caos volte ao normal, precisamos aceitar nossas limitações.  Mas precisamos, também, buscar nossa divindade perdida.  A tarefa, embora difícil, é possível.

Edição 186 de 28/07/2006


         O vinho melhora com a idade. Pouquíssimas pessoas são como ele. A maioria, com o avançar dos anos, realça seus defeitos de caráter. O jovem ambicioso se transforma no adulto invejoso, que chega à terceira idade como um poço de despeito e ódio. O adulto que só pensa na luxúria se transforma num idoso que vive cantando garotinhas. O poupador compulsivo vira um verdadeiro muquirana. 
         Existe, porém, no meio dessa triste constatação, uma boa notícia: sempre é tempo de começar a reforma íntima. Ninguém está irremediavelmente condenado ao seu estado atual.          Todos podem mudar. Mas a mudança depende de nós.

Edição 185 de 15/07/2006


         O vinho melhora com a idade. Pouquíssimas pessoas são como ele. A maioria, com o avançar dos anos, realça seus defeitos de caráter. O jovem ambicioso se transforma no adulto invejoso, que chega à terceira idade como um poço de despeito e ódio. O adulto que só pensa na luxúria se transforma num idoso que vive cantando garotinhas. O poupador compulsivo vira um verdadeiro muquirana. 
         Existe, porém, no meio dessa triste constatação, uma boa notícia: sempre é tempo de começar a reforma íntima. Ninguém está irremediavelmente condenado ao seu estado atual.          Todos podem mudar. Mas a mudança depende de nós.

Edição 185 de 15/07/2006


         O vinho melhora com a idade. Pouquíssimas pessoas são como ele. A maioria, com o avançar dos anos, realça seus defeitos de caráter. O jovem ambicioso se transforma no adulto invejoso, que chega à terceira idade como um poço de despeito e ódio. O adulto que só pensa na luxúria se transforma num idoso que vive cantando garotinhas. O poupador compulsivo vira um verdadeiro muquirana. 
         Existe, porém, no meio dessa triste constatação, uma boa notícia: sempre é tempo de começar a reforma íntima. Ninguém está irremediavelmente condenado ao seu estado atual.          Todos podem mudar. Mas a mudança depende de nós.

Edição 185 de 15/07/2006


         O vinho melhora com a idade. Pouquíssimas pessoas são como ele. A maioria, com o avançar dos anos, realça seus defeitos de caráter. O jovem ambicioso se transforma no adulto invejoso, que chega à terceira idade como um poço de despeito e ódio. O adulto que só pensa na luxúria se transforma num idoso que vive cantando garotinhas. O poupador compulsivo vira um verdadeiro muquirana. 
         Existe, porém, no meio dessa triste constatação, uma boa notícia: sempre é tempo de começar a reforma íntima. Ninguém está irremediavelmente condenado ao seu estado atual.          Todos podem mudar. Mas a mudança depende de nós.

Edição 185 de 15/07/2006


         Ter sucesso na vida pode parecer uma coisa boa, mas também pode significar uma sentença de morte, ou melhor: de uma vida vazia, sem progresso existencial, sem um passo sequer rumo à espiritualidade.  Quem se acha quase (ou mais que) um deus, quem resume o Universo ao seu sucesso, seus bens, fama, poder, não se questiona, não vê por que precisaria pensar em mudar.  Fecha-se nos seus princípios e valores (que julga perfeitos).  É puro egocentrismo.
          Essas pessoas nem chegaram ao patamar da pergunta: acredito em Deus?
          Elas precisam, primeiramente, passar por uma pergunta muito mais difícil: acredito em mim?

Edição 184 de 01/07/2006


           Não posso provar, cientificamente, que Deus existe. Não posso provar, historicamente, que Jesus Cristo existiu. Também não posso provar que Buda alcançou a iluminação. Nem que São Francisco obteve os estigmas da Cruz.
           Pensando bem, será que tudo isso é importante?
           Mas eu garanto que, quando enxugamos as lágrimas de quem sofre, sua dor diminui; quando damos um bom conselho, muitas dúvidas recebem uma nova luz; quando perdoamos, o nível do Amor entre as pessoas aumenta. Garanto que, quando ajudamos alguém a comer, a morar, a se vestir, a aprender, brotam sementes de esperança pelo Mundo.
          Isso, sim, é importante.

Edição 183 de 17/06/2006


          Fiquei sabendo que muitas escolas, públicas e particulares, estimulam a delação entre os alunos. Esses pseudo-educadores deveriam assistir ao filme “Perfume de Mulher”. Talvez aprendessem algo.
          Muitas pessoas gravam telefonemas e conversas, sem o conhecimento de seus interlocutores. Depois, soltam na imprensa.
          Ex-esposas, secretárias, jardineiros, motoristas, ex-aliados políticos contam fatos que só conheceram porque tinham acesso à privacidade das pessoas que agora delatam.
          E o povão gosta desses Judas, desses profissionais do dedodurismo, desses alcagüetes, desses traidores.
          Antigamente, até os piores bandidos tinham e respeitavam um código de honra. Hoje, a falta de honra é estimulada e aplaudida.
          Que tristeza...

Edição 182 de 03/06/2006


          Fiquei sabendo que muitas escolas, públicas e particulares, estimulam a delação entre os alunos. Esses pseudo-educadores deveriam assistir ao filme “Perfume de Mulher”. Talvez aprendessem algo.
          Muitas pessoas gravam telefonemas e conversas, sem o conhecimento de seus interlocutores. Depois, soltam na imprensa.
          Ex-esposas, secretárias, jardineiros, motoristas, ex-aliados políticos contam fatos que só conheceram porque tinham acesso à privacidade das pessoas que agora delatam.
          E o povão gosta desses Judas, desses profissionais do dedodurismo, desses alcagüetes, desses traidores.
          Antigamente, até os piores bandidos tinham e respeitavam um código de honra. Hoje, a falta de honra é estimulada e aplaudida.
          Que tristeza...

Edição 182 de 03/06/2006


          Todos pedem punição, prisão perpétua, pena de morte. Para os outros. Todos querem honestidade e transparência. Dos outros. Todos querem o sacrifício. Dos outros. Todos querem que as leis sejam obedecidas. Pelos outros.
          Por sua vez, ninguém olha para os próprios defeitos, as próprias deficiências, os próprios erros.
O povo desrespeita as leis, principalmente quando ninguém está olhando. O povo é desonesto.     Engana, mente, trai. Sempre está querendo levar vantagem. Esse mesmo povo, porém, cobra dos políticos e autoridades um comportamento divino.
          Precisamos, sim, mudar o Mundo. Mas se, primeiramente, não mudarmos nosso próprio viver, como poderemos mudar o resto?

Edição 181 de 20/05/2006


          Todos pedem punição, prisão perpétua, pena de morte. Para os outros. Todos querem honestidade e transparência. Dos outros. Todos querem o sacrifício. Dos outros. Todos querem que as leis sejam obedecidas. Pelos outros.
          Por sua vez, ninguém olha para os próprios defeitos, as próprias deficiências, os próprios erros.
O povo desrespeita as leis, principalmente quando ninguém está olhando. O povo é desonesto.     Engana, mente, trai. Sempre está querendo levar vantagem. Esse mesmo povo, porém, cobra dos políticos e autoridades um comportamento divino.
          Precisamos, sim, mudar o Mundo. Mas se, primeiramente, não mudarmos nosso próprio viver, como poderemos mudar o resto?

Edição 181 de 20/05/2006


          Estava muito triste, porque não ia poder dar a festa que tinha sonhado para sua filha. Aluguel do salão, comida, bebida, música, tudo era muito caro. E ela estava sem dinheiro para tudo isso.
          Então tentou se lembrar do seu aniversário de quinze anos. Não se lembrava do local da festa, nem do sabor dos doces e salgados. Da música também não se lembrava. Mas ainda sentia o carinho de seus pais, ainda via o brilho da luz dos seus olhos.
          Comprou um pequeno bolo, acendeu uma vela, olhou para sua filha.
          Mãe e filha se abraçaram. Olhos brilharam. Felicidade... 

Edição 179 de 22/04/2006


         Todos nós, todos os dias, deveríamos ser acordados com três notícias: que estamos com uma doença terminal, que vamos ser presos, que um ente querido morreu.
          Minutos depois, deveríamos receber a informação de que aquelas notícias eram todas falsas.
          Talvez, assim, passássemos a dar valor a esse imenso e indescritível privilégio que é estarmos vivos, que é estarmos livres para percebermos as belezas que nos cercam.
          A maioria das pessoas só está vivendo porque acordou. Na verdade, apenas porque abriu os olhos, pois passa o dia dormindo para o pulsar da vida.
          Precisamos viver cada segundo. Pode ser o último.

Edição 178 de 08/04/2006


          Minha mulher me perguntou se eu queria ir ao cinema com ela.
- Hoje não posso, estou escrevendo um artigo.
Minha filha mais velha me trouxe uma dúvida de Matemática.
- Depois eu te ajudo.
Meu filho me chamou para jogar bola.
- Agora não dá.  Depois.
Minha filha mais nova me convidou para jogar dominó.
- Outra hora.
          Escrevi o artigo, mas percebi que podia escrever mais.  E escrevi mais, muito mais.
Terminei o verdadeiro tratado.  Só faltava o título.
Em casa, todos já estavam dormindo.
          Escrevi o título, então: “A Importância da Vida em Família”.
Que título bonito!

Edição 175 de 25/02/2006


          Era uma vez um administrador que, para melhorar o fluxo dos carros na sua cidade, resolveu construir estradas. Derrubaram-se casas, abriram-se estradas. Mas tantas casas derrubaram para construir as estradas, que não havia mais casas, nem carros, nem gente.
          Muitas vezes, no desejo de resolvermos um problema, acabamos criando muitos outros, às vezes até maiores do que o original.
          Todos os mestres ensinaram e ensinam que o melhor caminho é o do meio, do bom senso.Sem dúvida ele é o melhor caminho, mas também é o mais difícil de ser trilhado. A escolha, como sempre, só pode ser nossa.

Edição 174 de 11/02/2006